Devocional
Missão Impossível
Voz gerada por IA · Onyx · Old-Timey
Versículo principal“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?”Romanos 8:35
“Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor...” Atos 9:1
O título “Missão Impossível” nos faz lembrar imediatamente da famosa franquia de filmes de ação e espionagem protagonizada por Tom Cruise. Ele interpreta Ethan Hunt, um agente secreto destemido, habilidoso e obstinado, integrante da fictícia IMF — Força Missão Impossível.
Pouco importam os detalhes do enredo. Mesmo sem assistir ao trailer ou ler a sinopse, já sabemos o que encontraremos: um agente que não desiste, que enfrenta perigos aparentemente insuperáveis e que está disposto a arriscar a própria vida para cumprir sua missão.
Também sabemos que, por mais difícil que seja o caminho, o bem acabará vencendo. Afinal, a missão precisa continuar.
Quando observo a vida do apóstolo Paulo, encontro algo semelhante. Vejo um homem destemido, ousado, determinado e disposto a enfrentar qualquer obstáculo para alcançar o seu objetivo. A grande diferença é que, inicialmente, ele estava cumprindo a missão errada.
Antes de se tornar o apóstolo Paulo, Saulo de Tarso carregava a intensidade e o foco implacável de um agente em plena operação. Atos 9:1 afirma que ele “respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor”. Seu objetivo era claro: destruir a Igreja que começava a crescer.
Saulo não media esforços. Entrava nas casas, prendia homens e mulheres e os entregava às autoridades. Depois de consentir na morte de Estêvão, não se deu por satisfeito. Pediu cartas ao sumo sacerdote que lhe dessem autorização para viajar até Damasco, localizar os seguidores de Jesus e levá-los presos para Jerusalém.
Ele se ofereceu voluntariamente para aquela missão.
Saulo era como um agente obstinado, com os olhos fixos no alvo. Sua determinação era cega e implacável. Nada parecia capaz de fazê-lo desistir. O problema não era a ausência de coragem, disciplina ou convicção. O problema era que toda essa força estava sendo empregada na direção errada.
Ele acreditava estar servindo a Deus, quando, na verdade, estava perseguindo o próprio Filho de Deus.
Foi por isso que Jesus lhe perguntou:
“Saulo, Saulo, por que me persegues?” Atos 9:4
Essa pergunta revela uma verdade assustadora: alguém pode acreditar sinceramente que está fazendo o bem e, ainda assim, lutar contra Deus. Pode possuir determinação, coragem e disciplina, mas usar todas essas qualidades para alimentar uma missão equivocada.
Um dos atributos de Deus é realizar o impossível. E Deus gosta de usar pessoas que não fogem das grandes missões. Mas, antes de confiar uma missão a alguém, Ele precisa transformar seu coração e corrigir a direção dos seus passos.
A grande diferença não está na intensidade do agente, mas no propósito da missão.
O Evangelho não é apenas uma mensagem sobre realizar coisas impossíveis. O Evangelho é, primeiramente, o realinhamento da nossa missão.
Sem Cristo, somos como Saulo: equivocados em nossos propósitos, conduzidos por mentiras que consideramos verdades e capazes de ferir a nós mesmos e aos outros enquanto acreditamos estar fazendo o que é certo.
Somos facilmente movidos pelo orgulho, pela vaidade e pelos interesses pessoais. Dizemos que estamos cumprindo uma missão, mas, muitas vezes, estamos apenas construindo nossa própria promoção.
Queremos vencer para sermos admirados.
Queremos conquistar para provar nosso valor.
Queremos chegar ao destino, mas raramente perguntamos se foi Deus quem escolheu esse destino.
Por isso, sem Cristo, nossa missão é impossível — não porque nos faltem inteligência, capacidade ou força, mas porque estamos seguindo na direção errada. Torna-se impossível alcançar a verdadeira paz, viver o propósito de Deus e ser uma bênção genuína para aqueles que estão ao nosso redor.
Então acontece a grande reviravolta: o encontro com Jesus.
Nos filmes de “Missão Impossível”, Ethan Hunt frequentemente é acusado de traição e passa a ser caçado pela própria agência. Aos olhos das autoridades, ele parece ser o vilão, embora continue lutando pelo lado certo.
Com Saulo, porém, aconteceu algo ainda mais profundo. Ele não era apenas um mocinho incompreendido. Ele estava verdadeiramente do lado errado. Era perseguidor, agressor e inimigo da Igreja. Contudo, quando encontrou Jesus na estrada de Damasco, não apenas mudou de aparência ou de reputação: foi transformado por completo.
O perseguidor tornou-se perseguido.
Aquele que prendia cristãos passou a ser preso por anunciar Cristo.
Aquele que consentiu na morte de Estêvão ficou disposto a entregar a própria vida pelo mesmo Evangelho que antes tentava destruir.
Paulo realizou uma das maiores “mudanças de lado” da história. Toda a sua coragem, inteligência, energia e determinação foram redirecionadas. Ele passou a defender aquilo que antes combatia e a edificar aquilo que antes tentava destruir.
No início, os próprios cristãos desconfiaram dele. Muitos ainda o enxergavam como inimigo e tinham medo de se aproximar. Mas Paulo não era mais o mesmo homem. Jesus havia mudado seu coração, sua identidade e sua missão.
Após o encontro com Cristo, Paulo ajustou o foco. Antes, era incapaz de amar aqueles que considerava seus inimigos. Agora, estava disposto a sofrer para que outros conhecessem a graça de Deus.
A confissão de Jesus como Senhor e Salvador funcionou como um código que abriu diante dele um novo campo de missões. Elas continuavam parecendo impossíveis: anunciar o Evangelho entre os gentios, enfrentar perseguições, atravessar mares, sobreviver a naufrágios, suportar prisões, açoites, fome, frio e rejeição.
Mas agora havia uma diferença: a missão vinha de Deus.
Paulo compreendeu que o cristão pode percorrer os caminhos mais difíceis porque não depende apenas de sua força. Pode enfrentar adversários, perdas e obstáculos sabendo que nenhuma circunstância será capaz de frustrar o propósito de Deus.
Por isso, ele escreveu:
“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?”Romanos 8:35
E concluiu que nem a morte, nem a vida, nem os poderes, nem o presente, nem o futuro e nenhuma outra criatura poderiam separá-lo do amor de Deus que está em Cristo Jesus.
Paulo aprendeu que a vitória não significa ausência de sofrimento. Em muitos momentos, ele foi preso, ferido, rejeitado e abandonado. Mesmo assim, sua missão não fracassou. Para ele, vencer era permanecer fiel até o fim.
Por isso, perto do encerramento de sua jornada, pôde declarar:
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”2 Timóteo 4:7
A vida de Paulo nos coloca diante de dois tipos de impossibilidade.
Sem Cristo, é impossível salvar a nós mesmos, reconciliar-nos com Deus por nossos próprios méritos e encontrar o verdadeiro propósito para o qual fomos criados.
Com Cristo, porém, aquilo que parece impossível torna-se possível, porque já não caminhamos sozinhos nem lutamos por uma missão inventada por nós.
Portanto, a questão principal não é se enfrentaremos coisas impossíveis. A questão é: qual missão estamos cumprindo?
Podemos gastar nossa vida combatendo do lado errado, defendendo nossos interesses e construindo um destino que Deus nunca escolheu para nós.
Ou podemos encontrar Jesus, permitir que Ele transforme nosso coração e aceitar a verdadeira missão: combater o bom combate, guardar a fé e viver como agentes do Reino dos Céus.
A missão pode parecer impossível.
Mas, quando é Deus quem envia, o impossível deixa de ser uma barreira e passa a ser o cenário no qual a glória dEle será revelada.
Para refletir
- Minha determinação está submetida a Cristo ou apenas aos meus próprios interesses?
- Em que áreas posso estar confundindo zelo com obediência?
- O encontro com Jesus já redirecionou, de fato, minhas prioridades?
- Estou buscando cumprir a missão de Deus ou construir minha própria promoção?
- Como Romanos 8:35 fortalece minha perseverança diante do sofrimento?
Para pequenos grupos
- O que a vida de Saulo ensina sobre coragem sem direção correta?
- Por que a conversão de Paulo é mais do que uma mudança de opinião?
- Como o amor de Cristo, em Romanos 8:35-39, sustenta a fidelidade do cristão?
- Quais sinais mostram quando alguém está tentando cumprir uma missão inventada por si mesmo?
- De que maneira a igreja pode ajudar irmãos a discernirem o chamado de Deus?
Conversa
Compartilhe uma reflexão que edifique outros homens. Novos comentários passam por moderação.